09/10/2017 | 8h00m

Entrevista da 2ª

"Chegou o momento do PTB", afirma pré-candidato ao governo do Estado

Delegado Ranolfo Vieira Júnior é o pré-candidato do partido ao Palácio Piratini

Para Ranolfo Vieira Júnior, a razão do governo gaúcho não pode ser o problema fiscal

Para Ranolfo Vieira Júnior, a razão do governo gaúcho não pode ser o problema fiscalMarcelo Casagrande / Agencia RBS

Em busca de protagonismo nas eleições 2018, o PTB estará na corrida ao Palácio Piratini. O partido definiu como pré-candidato o chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul durante o governo de Tarso Genro e hoje Secretário Municipal de Segurança Pública de Canoas, Ranolfo Vieira Júnior.

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Entrevista da 2ª

A segurança, obviamente, será bandeira do delegado Ranolfo. Mas ele garante que não será somente essa a prioridade. Na quinta-feira, quando esteve em Caxias para participar de um evento partidário, Ranolfo conversou com o Pioneiro. A seguir, os principais trechos.

Pioneiro: A sua pré-candidatura é para valer?

Ranolfo Vieira Jr.: O PTB na sua história recente, desde o período da redemocratização, nunca teve protagonismo direto na eleição majoritária no RS. Embora já tenhamos tido dois senadores, Emília Fernandes e Sérgio Zambiasi, não chegamos a apresentar candidato a governador. Então, o partido entendeu que chegou o momento do PTB. A candidatura é para valer, sem dúvida alguma. 

Por que o senhor quer concorrer? O que lhe motiva? 

A vontade de contribuir com o Estado. Sou servidor público há 30 anos, tenho tempo até para me aposentar, sou professor universitário, eu poderia simplesmente ir para casa, mas acho que a gente tem uma missão. E o fato de o Estado estar passando por esse momento de extrema dificuldade, entendo que chegou o momento de dar essa contribuição. 

O RS vive uma crise financeira muito grave. Qual sua proposta?

Estamos fazendo a discussão do nosso projeto de governo. Tem algumas coisas que eu posso dizer. A primeira: a razão de um governo não pode ser o tema fiscal, embora tenha importância. Vivemos um momento em que está sendo negociado esse regime de recuperação fiscal. Já pagamos quantas vezes essa dívida do Estado? Essa renegociação vai nos dar mais R$ 10 bilhões lá na frente. Vale a pena? Segunda questão, e aqui vou utilizar uma expressão do deputado (Luís Augusto) Lara, da nossa bancada. Ele comparou essa negociação com a daqueles que estão endividados. O cidadão comum quando está no SPC, no Serasa, sempre tem uma financeira que oferece crédito com juros exorbitantes. Tem algumas questões que eu não compactuaria nesse regime de recuperação. Juros é uma, renunciar às ações que se têm em andamento, seja em relação à Lei Kandir, é outra. Nós temos que fomentar o desenvolvimento econômico. Temos feito pesquisas, e elas apontam que a grande questão é o emprego. E na segurança pública? Nós passamos por um momento jamais passado no Estado. Em Canoas, temos uma delegacia de pronto atendimento onde hoje à tarde (quinta-feira) tinha 84 presos, onde cabem oito. Tem presos lá há 46 dias. São situações que têm que ter coragem para enfrentar. A questão do resgate da autoestima do policial. A questão do atraso no pagamento dos servidores. O maior desrespeito que pode haver com alguém é chegar às seis da tarde e dizer que amanhã ele vai receber R$ 200. Se tu chamar as pessoas e apresentar a situação, tenho certeza de que o trato da coisa teria sido de outra forma. 

O senhor assume o compromisso em pagar em dia a folha do funcionalismo? 

Não posso, não devo e jamais vou nesse momento assumir compromisso dessa natureza. O compromisso que assumo, sim, é a questão do diálogo, o respeito ao servidor. Estamos iniciando o momento de fazer o projeto de governo. Temos conversado com vários outros partidos. Conversamos com PSDB, com o Celso Bernardi, presidente do PP, com o Giovani Cherini, presidente do PR, com o Claudio Janta, presidente do Solidariedade. Temos reunião na próxima semana com a Rede. 

Mas vocês abririam mão da cabeça de chapa?

Não. Isso não está em discussão. Esse momento é de diálogo. Uma coisa é certa: para se vencer, é preciso ter uma composição partidária. Não é o momento de se discutir isso. O PTB tem, sim, pré-candidato ao governo. 

Ainda sobre segurança, além da valorização policial, o que mais o senhor defende?

É fundamental que se abram vagas no sistema penitenciário, essa é a primeira questão. A segunda: recuperação da autoestima do servidor. Terceira: investimento. Nós temos as polícias trabalhando com viaturas com quatro anos de uso. Uma viatura policial roda 24 horas por dia, sete dias por semana, 30 dias por mês, com quatro motoristas diferentes por dia. Então, imagina a vida útil do veículo. Em Canoas, embora não seja atribuição, o município está adquirindo 35 caminhonetes e está doando 15 para a Brigada Militar, seis para Polícia Civil e uma para a Susepe. Por que isso? Canoas é um município com 360 mil habitantes, limítrofe a Porto Alegre, com indicadores de criminalidade preocupantes, e se nós não fizermos isso, não tem como a polícia trabalhar. Tem outras questões que vêm antes da segurança. Nós, cidadãos, disputamos o adolescente com o crime. Temos que fazer com que ele acabe não optando pelo mundo do crime e isso se faz com ações preventivas. 

O que mais o senhor defende para o Estado?

As áreas prioritárias são saúde, segurança, educação e desenvolvimento econômico. Entendo que o Estado não deve estar em todas as áreas que não sejam aquelas típicas do Estado, embora não vá falar nesse momento de privatização, mas que o Estado está numa amplitude de atuação muito extensa. O Estado tem que centrar nas áreas fundamentais. Eu sou do tempo em que a gente se orgulhava em ser gaúcho. Parece que a gente foi perdendo isso ao longo dos anos. Temos que recuperar essa autoestima do Estado também. 

Qual sua opinião sobre a privatização de ativos e a venda de ações do Banrisul?

O que os técnicos estão dizendo: que essa venda das ações, da maneira como foi posta, desvaloriza no todo o Banrisul. Do ponto de vista econômico-financeiro, muito mais interessante vender o banco todo do que fazer dessa maneira. Então, o senhor é a favor da venda do Banrisul? Não. O Banrisul me parece que é uma coisa nossa, do gaúcho, tem uma certa resistência à venda. Mas também vender dessa forma e desvalorizar o todo não é a forma mais adequada. Com relação a ativos, vamos pegar os imóveis. Quantos imóveis o Estado do RS tem com valores altíssimos e que estão em desuso ou são mal utilizados? Me parece que tem que se desfazer disso aí, trocar por investimentos em saúde, escolas, segurança. Foi aprovada uma lei na Assembleia de um prédio da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos que a Companhia Zaffari ficaria e construiria vagas em presídios. Deve estar completando quase um ano e não ouvi mais notícia disso aí. A coisa não pode ser essa burocracia, essa lentidão, tem que ser mais rápido.