12/10/2017 | 13h52m

Mirante

Vereador Chico Guerra, de Caxias, se excede ao falar em cometer crime

Líder do governo citou performance com artista nu e disse que se envolvesse seus filhos, perderia os princípios

Líder do governo na Câmara ingressou com projeto para proibir materiais que tratem ou façam alusão à ideologia de gênero nas escolas municipais

Líder do governo na Câmara ingressou com projeto para proibir materiais que tratem ou façam alusão à ideologia de gênero nas escolas municipaisMatheus Teodoro / Divulgação

O líder do governo municipal na Câmara de Vereadores, Chico Guerra (PRB), autor da frase “Estou fazendo o papel de vereador para Deus através das pessoas”, dita em abril em entrevista ao Pioneiro, afirmou na sessão de quarta-feira que poderia cometer um crime contra uma professora. A afirmação foi durante manifestação sobre a polêmica envolvendo a Queermuseu, na Câmara de Vereadores, assunto levantado pelo vereador Edson da Rosa, do PMDB, que divulgou a coleta de assinaturas para uma moção de repúdio (leia mais aqui)

Chico citou a performance com nu no Museu de Arte de São Paulo (MAM), onde uma criança interage com o artista, com autorização da mãe. O vereador disse que, como pai, nem conseguiu ver todo o vídeo. O parlamentar, que fala em nome da administração na Casa, sentenciou:

– Imaginava a minha filha. Se tem uma professora que faz isso com a minha filha, eu perco todos os meus princípios, eu não sei o que que eu faço com essa professora. Eu não sei o que eu faço, eu cometo um crime.

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Foi um desabafo, uma reação indignada, porém, o irmão do prefeito Daniel Guerra (PRB) deveria ter cuidado com o que diz. Sua fala incita a violência. Trata-se de um parlamentar. 

Gênero

Ele prosseguiu anunciando ter ingressado com um projeto proibindo materiais que tratem ou façam alusão à ideologia ou identidade de gênero nas escolas municipais de Caxias do Sul. De acordo com a proposição, todos os materiais didáticos deverão ser analisados antes da distribuição nas escolas.

Diante da possibilidade de seu projeto ser inconstitucional e rejeitado na Câmara, o vereador disse que se souber desse material na escola de seus filhos, divulgará na mídia e nas redes sociais e entrará com notificação extrajudicial da escola. 

— Essa notificação já deixa claro que qualquer menção sobre ideologia vai virar em um processo — ameaçou.